Distúrbios osteomusculares

Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho representam um sério dilema de saúde pública, por serem uma das mais importantes causas de incapacidade e absenteísmo.

Entre essas afecções estão incluídas as patologias da coluna vertebral, e as dores lombares representam um risco para determinados grupos ocupacionais, dentre os quais se encontram os trabalhadores da área de saúde. Organizações e pesquisadores de todo o mundo têm citado os trabalhadores da área de saúde como um grupo de risco em relação ao desenvolvimento de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, particularmente as algias vertebrais. Estudos têm mostrado ser elevada a ocorrência de sintomas musculoesqueléticos em múltiplas regiões corporais entre a equipe de enfermagem.

No entanto, a dor lombar continua a ser o fator principal de absenteísmo, incapacidade funcional e procura por auxílio médico entre esses trabalhadores. As agressões à coluna vertebral são causadas por inúmeros fatores inter-relacionados, entre os quais se salienta:

as condições inadequadas de mobiliários e equipamentos;

a manutenção de posturas estáticas e impróprias;

a movimentação de pacientes acamados e o esforço físico ao transportá-los e os fatores organizacionais e psicossociais, tais como: equipe com número insuficiente, estresse, suporte social, satisfação e pressão no trabalho.

Considerando que as pesquisas das causas e o tratamento das dores lombares nesses trabalhadores têm gerado controvérsias, cada vez mais se buscam novas abordagens para enfrentar esse risco ocupacional.

A literatura aponta estratégias como:

  • implementação de medidas diagnósticas e preventivas precoces;
  • orientações ergonômicas e posturais;
  • utilização de dispositivos auxiliares;
  • melhoria no ambiente de trabalho;
  • revisão de aspectos organizacionais;
  • programas de exercícios e alongamentos e alterações no estilo de vida.

Dentro desse contexto, o presente estudo teve por objetivo sintetizar e descrever criticamente os pontos básicos das principais estratégias de prevenção e controle dos sintomas osteomusculares, em trabalhadores da área de saúde, dentro de uma abordagem ergonômica. Metodologia Trata-se de uma revisão sistemática, articulando evidências empíricas produzidas por trabalhos científicos da autora. Para construção do estudo, considerou-se a inclusão de artigos publicados em revistas indexadas, com suporte de literatura internacional sobre o tema.

Com os resultados foi possível descrever sinteticamente orientações básicas e inovadoras dentro do referencial teórico da ergonomia, englobando os equipamentos, as tarefas, o pessoal e o ambiente de trabalho. Avaliações e medidas para controle dos distúrbios osteomusculares Uma das primeiras medidas preventivas para evitar a cronicidade e a incapacidade para o trabalhado é uma avaliação precoce das afecções da coluna vertebral. Para isso, deve-se realizar uma avaliação cuidadosa, empregando métodos semiológicos padronizados. Uma propedêutica vertebral sistematizada deve englobar anamnese, com ênfase nos aspectos ocupacionais e ergonômicos, e exame físico específico, utilizando os seguintes métodos:

  • inspeção estática e exame postural; inspeção dinâmica;
  • palpação;
  • É muito importante também avaliar e controlar aspectos dos sintomas osteomusculares tais como freqüência e intensidade da dor;
  • capacidade funcional e qualidade de vida dos pacientes e aspectos sociais e emocionais envolvidos.

A literatura tem descrito escalas e questionários validados para avaliar essas diferentes dimensões. Esses instrumentos são muito importantes, pois fornecem dados para melhorar e avaliar a eficácia de tratamentos e programas de prevenção. Orientações ergonômicas e posturais Grande parte das agressões ao sistema osteomuscular em trabalhadores da saúde estão relacionadas a condições ergonômicas inadequadas de mobiliários, posto de trabalho e equipamentos utilizados nas atividades cotidianas, sendo as dores nas costas causadas por traumas crônicos repetitivos, que envolvem muitos outros fatores, além da manipulação de pacientes. Veja esse site: http://tratamentocandidiase.com.br/.

Dessa forma, as recomendações acerca de um aspecto relevante do problema das algias osteomusculares, que é a prevenção e controle, têm caminhado em direção a uma abordagem ergonômica mais ampla.

O Serviço de saúde

O Serviço de Saúde é um serviço de Atenção Primária em Saúde (APS) responsável pela saúde de 108.000 habitantes da zona norte da cidade de Porto Alegre há mais de 20 anos.

É formado por 12 equipes de saúde, localizadas em territórios delimitados onde atuam médicos de família, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogas, dentistas, nutricionistas, farmacêuticos, técnicos e auxiliares de enfermagem, auxiliares administrativos, técnicos em higiene dental, agentes comunitários de saúde e profissionais em formação (estudantes e residentes de diversas áreas da saúde). As doenças e agravos não-transmissíveis tem sido um desafio para o trabalho da APS. De modo geral, alguns poucos fatores de risco são os responsáveis pela maior parte da morbidade e mortalidade decorrente de doenças não-transmissíveis, entre eles: hipertensão arterial (HAS), diabetes mellitus (DM), elevação nos níveis de colesterol, sobrepeso e obesidade, tabagismo e sedentarismo.

Mais recentemente, vem sendo enfatizado o risco decorrente da dieta inapropriada (baixo consumo de frutas e vegetais, alto consumo de gorduras saturadas) e da atividade física praticada de forma insuficiente para alcançar benefício cardiovascular

Intervenções para reduzir a morbimortalidade por DANT baseiam-se no controle da HAS, DM, dislipidemias, tabagismo, obesidade e sedentarismo.

A OMS aponta que a ausência de programas abrangentes de prevenção de DANT dirigidos à população adulta caracteriza a dificuldade para se implementar a detecção e o controle dessas doenças. Os custos financeiros, diretos e indiretos, decorrentes desse grupo de doenças incluem desde a perda da capacidade produtiva dos trabalhadores, o absenteísmo, os tratamentos clínico e cirúrgico, a reabilitação, até aposentadoria precoce. Dessa forma, as DANT constituem um enorme desafio para as políticas de saúde dos países em desenvolvimento, agravado pelas desigualdades sociais e econômicas e pela má distribuição de renda.

Frente à magnitude do problema, em 2002 o SSC elegeu, no campo da Saúde do Adulto, os problemas da HAS e DM como prioridades de atenção. A priorização destes problemas colocou a necessidade da existência da Coordenação da Atenção das DANT que atuou na implantação de uma Ação Programática (AP) denominada “Reorganização da Atenção as Pessoas com HAS, DM e FR para Doenças Cardiovasculares (DCV)”. A AP tem como objetivo reduzir morbimortalidade por doenças e agravos não transmissíveis através de ações de promoção e educação em saúde, detecção precoce, tratamento e acompanhamento das pessoas com HAS, DM e outros FR para DCV na população residente na área de abrangência do SSC-GHC. Através da AP realizou-se a sensibilização das equipes e a implantação de protocolos assistenciais específicos para o enfrentamento dos problemas “HAS-DM”, além de atualizações anuais sobre o tema e um banco de dados para o cadastro dos usuários, monitoramento dos casos e avaliação dos indicadores pactuados .

A implantação do protocolo assistencial consolidou um conjunto de ações sistematizadas para captação, acompanhamento e avaliação das pessoas com HAS e desencadeou um processo institucional de educação permanente no SSC para as equipes das Unidades de Saúde (US). O conjunto de recomendações para o cuidado integral que apresentamos neste documento objetiva guiar as equipes para um acompanhamento qualificado das pessoas que convivem com o problema HAS através do diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento dos casos; identificação de FR para DCV e promoção de ações de saúde que propiciem a adesão ao tratamento. Esse documento foi construído levando em consideração as orientações do Centre for Evidence-Based Medicine e a seguir descrevemos os passos seguidos pelo grupo de trabalho: Definição do Problema: Como fazer rastreamento, diagnóstico, manejo, tratamento e acompanhamento de pessoas com HAS em US da APS? É possível afirmar que a candidíase tem cura?

Esses assuntos serão tratados em post mais aprofundados.

Até a próxima!!!